Ontem, gafanhotos; hoje, condenação; amanhã, o que virá?

Semana passada o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Chico Guerra (PSDB), subiu à tribuna da Casa para comunicar aos seus simpatizantes e colegas de parlamento, num momento de sinceridade extrema, que havia sido condenado em segunda instância pelo seu envolvimento do “caso gafanhotos”. Na ocasião, Guerra demonstrou preocupação com o seu futuro político. Na primeira instância o deputado havia sido inocentado.

A preocupação manifestada pelo presidente da Assembleia, em relação ao seu futuro político, deveria ser a preocupação de todos os arrolados no processo que trata do desvio de dinheiro dos cofres do Estado, que ficou conhecido, como já citado acima, como “caso gafanhotos”. A condenação de Chico Guerra pode ser o prenúncio de que todos, absolutamente todos os envolvidos, correm o risco de ter o mesmo fim.
O deputado Chico Guerra foi condenado em segunda instância pela suposta participação no "caso gafanhotos"
Foto: Eduardo Andrade
Não preciso lembrar que o ex-governador Neudo Campos (PP), apontado pelo juiz Helder Girão Barreto como o mentor do esquema, também já sofreu condenação no mesmo processo. Isso quer dizer que vários outros deputados estaduais – Chicão da Silveira, Aurelina Medeiros, Jalser Renier, Flamarion Portela (governador à época da operação “Praga do Egito”), etc., poderão sofrer condenação nas instâncias superiores. Isso não é regra, mas pode acontecer.
Esse cenário que desenho aqui – de condenação de todos os envolvidos no “caso gafanhotos” – pode ter influência direta nas próximas eleições estaduais. Dizem que já há quem esteja preparando seu sucessor por ter a certeza de que não vai escapar das garras da justiça. Aí o horizonte estará aberto para o surgimento de novas lideranças políticas, pessoas que até agora tiveram pouca ou nenhuma oportunidade de protagonismo no cenário local.

Raciocinemos. Depois deste mandato que exerce, o governador Anchieta Júnior (PSDB) não vai poder mais se candidatar ao governo. Se o cenário lhe for favorável, deverá tentar uma candidatura ao Senado. A deputada federal Teresa Surita (PMDB) pode ficar impedida de disputar eleições nos próximos anos, também devido a implicações na justiça. E assim, como todos os envolvidos no “caso gafanhotos” na berlinda, correndo risco de condenação, surge uma avenida de possibilidades para novos nomes.

É o que penso.

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