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Todos querem o anonimato regimental

Meus @migos,

Muito se fala de transparência na administração pública e na atividade parlamentar, mas os gestores públicos e legisladores querem mesmo é manter suas ações sob o manto do sigilo. Isso fica patente quando o assunto é a votação de questões polêmicas nas casas legislativas estaduais e federais.

Nesta quinta-feira, 1º de setembro, o líder do governo na Câmara dos Deputados, Cândido Vaccarezza (PT-SP), afirmou ser contra a proposta de voto aberto em Plenário para processos de cassação. 

Segundo Vaccarezza, as votações sobre perda de mandato precisam continuar sendo com voto secreto para evitar pressões dos grupos interessados nas cassações e até mesmo da Presidência da República. A mesma situação persiste na Assembleia Legislativa de Roraima e na Câmara Municipal de Boa Vista.

Na verdade o que senadores, deputados federais e estaduais e vereadores querem é evitar aquilo que deveria ser praxe entre os legisladores, que foram eleitos para representar a população: a transparência total da suas ações. 

Mantendo as votações secretas, fica mais fácil de votar contra o governo – em qualquer esfera de poder - e não ser incomodado com cobranças e críticas, quando o resultado da votação ultrapassar o limite do que é moralmente aceitável. Só assim os legisladores não terão de responder às cobranças da sociedade.

O que impera nas casas legislativas é o corporativismo generalizado. Parlamentares só cortam a própria carne quando não dá mais para segurar a pressão popular. E com o voto aberto a pressão não viria somente dos grupos interessados dentro do parlamento, mas da sociedade, que espera sempre uma conduta ética e exemplar dos seus representantes.

É por isso que Vacarezza e tantos outros deputados resistem em abrir o voto sobre questões sensíveis. Esconder-se no anonimato regimental é bem mais cômodo.

PS - Este comentário foi escrito originalmente para a coluna Política S/A que assino no site Roraima em Foco. Em breve a coluna estará no ar

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