Eliana Calmon e os "bandidos de toga"

As declarações da nova corregedora do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministra Eliana Calmon, ainda ecoam pela imprensa brasileira a fora desde a semana passada. Ela afirmou em entrevista à revista Veja que "o Judiciário é o menos corrupto dos poderes" e que há "bandidos de toga" no meio judiciário. Apesar de não ter dito nem revelado nenhuma novidade, o corporativismo comum no meio judicial fez com que pipocassem reações indignadas por parte de vários integrantes do Poder Judiciário em todo o país. 

No Brasil inteiro são conhecidos inúmeros casos de magistrados que se envolveram em casos de corrupção e vendas de sentença, inclusive aqui em Roraima. Mas os juízes que representam um poder "super-poderoso" que é o Judiciário não gostaram das declarações da colega. A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), órgão classista, quer reduzir o poder de investigação do CNJ. Seria corporativismo para proteger seus membros de possíveis embaraços?

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) é um órgão fundamental para garantir a integridade do próprio Poder Judiciário, pois temos aí um poder que tem dificuldade de fiscalizar a si próprio. Como um juiz vai julgar um colega de toga sem ser tocado pelo forte senso de corporativismo que toma conta do Judiciário? O CNJ precisa ter liberdade para investigar. Não pode ser amordaçado. Se, como afirmou a ministra, o Poder Judiciário é o menos corrupto dos poderes, isso significa que nele também há corrupção, ainda que em menor escala. Portanto, os maus juízes precisam ser afastados das funções como deve ou deveria acontecer com os maus políticos, os maus advogados, os maus médicos, os maus jornalistas, etc., etc., etc.

Problema é que, sentindo-se acima do bem e do mal, os juízes, mesmo aqueles que foram pegos com as calças, digo, com a toga na mão, fazem beicinho diante das afirmações da ministra Eliana Calmon. E os demais, para não perderem o hábito do corporativismo, saem na defesa dos colegas togados. Como o Judiciário é um poder elitista, encontra defensores também no meio da imprensa, como colunistas que mesmo diante das evidências se arvoram a defender os que se envolveram em escândalos no desempenho da função de juiz, que, diga-se também, é paga e bem paga com o dinheiro público, dinheiro de todos nós.

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