Deputados repercutem denúncia da Veja; Xingu diz que “quadrilha” está por trás de tudo

O debate que predominou na manhã de hoje na Assembleia Legislativa foi a repercussão da matéria da revista Veja desta semana, em que o ex-colaborador do PSDB de Roraima, Gerson Denz, afirma que o governador José de Anchieta (PSDB) teria transportado dinheiro no jato oficial, durante as eleições do ano passado e ainda denuncia maquiagem na prestação de contas de campanha pelo partido tucano.

Enquanto os deputados de oposição celebraram a denúncia feita à revista, sem que Denz apresentasse nenhuma prova, os parlamentares de situação buscaram desconstruir a reportagem e provar que o denunciante agiu por vingança e sob orientação dos oposicionistas. O debate foi acirrado e mais de dez deputados trataram da questão, entre discursos e apartes.

Quem abriu o debate foi o deputado Brito Bezerra (PP), que disse que Denz não iria narrar um fato inverídico nem a Veja inventar uma matéria sem fundamento. O deputado Flamarion Portela também falou sobre as acusações dizendo que houve abuso de poder econômico do governador Anchieta, nas eleições passadas. [Só para lembrar: o ex-governador Flamarion Portela foi cassado em agosto de 2004 sob acusação de ter cometido abuso de poder político e econômico durante a campanha eleitoral de 2002].

Ouça o que disse o deputado Brito Bezerra;


Os deputados de situação Chico Guerra (PSDB), Jalser Renier (DEM), Aurelina Medeiros (PSDB), Rodrigo Jucá (PMDB) e Jânio Xingu (PSL) trataram de desmontar a matéria, mostrando documentos que comprovariam as motivações pessoais de Denz para a formulação da denúncia, além dos indícios de que ele agiu sob orientação da oposição ou pelo menos de um deputado da bancada oposicionista.

Ouça o que disse o deputado Chico Guerra:



Chico Guerra disse que essas acusações de distribuição de dinheiro é uma arma usada pela oposição
em todas as eleições, que sempre quer ganhar o pleito no tapetão. Afirmou que a oposição não contribuiu com o governo e atrapalha o desenvolvimento do estado. Jalser Renier fez um histórico da descoberta do desfalque de cerca de R$ 20 mil do PSDB e a comprovação, mediante o fornecimento, pelo Banco do Brasil, de cópias de cheques sacados por Gerson Denz, que comprovariam a apropriação indébita do dinheiro pelo ex-colaborador do PSDB.

Por sua vez, o deputado Rodrigo Jucá pontuou que nem tudo o que a imprensa publica deve ser tomado como verdade. E fez alguns questionamentos: “porque a Veja resolveu publicar uma matéria sem provas? Quem pagou a passagem do repórter Hugo Marques a Boa Vista? Quem promoveu o encontro de Gerson Denz com o repórter da revista nacional? Os deputados deixaram clara a sua crença de que houve a participação de terceiros na produção da matéria de Veja.

Seguindo o tom dos discursos anteriores, a deputada Aurelina Medeiros afirmou conhecer bem Gerson Denz e disse que custou a acreditar que ele tenha se prestado ao papel de fazer a denúncia a Veja. Ela observou que o PSDB deixou de receber recursos do fundo partidário e perdeu tempo de horário gratuito na televisão em decorrência de pendências contábeis provocadas pelo desfalque de dinheiro que teria sido feito por Denz nas finanças do partido. “Foi sacado o dinheiro e as  contas do partido não foram pagas”, afirmou a deputada.

O discurso mais veemente, no entanto, partiu do deputado Janio Xingu, que afirmou ter sido montada na Assembleia Legislativa “uma quadrilha que é financiada por um determinado gabinete para fazer armações contra deputados da situação e agora mais essa contra o governador”.

Xingu disse já ter sido vítima da tal “quadrilha” e citou o caso de uma matéria, também publicada na Veja e que teria tido o objetivo de prejudicar o deputado Rodrigo Jucá, e que teria sido produzida a partir do esquema ao qual ele se referiu. Na época da publicação da matéria, surgiu a comprovação de que as informações partiram de assessores da Casa. Para Janio Xingu, “a fonte pagadora” da matéria que está na Veja desta semana é a mesma. “Denúncias levianas qualquer deputado pode produzir”, afirmou Xingu.

O deputado disse que vai voltar à tribuna posteriormente para citar o nome das pessoas que, segundo ele, fazem parte da “quadrilha” quem tem produzido as “armações” contra os deputados e contra o governador José de Anchieta. “Nós não vamos aceitar esse tipo de armação aqui”, afirmou. Ele disse que a presidência da Assembleia precisa tomar providências quanto à situação. O presidente da Casa, Chico Guerra, afirmou desconhecer a existência de uma quadrilha na Assembleia e pediu que o deputado Xingu esclareça sua afirmação, citando os nomes das pessoas que compõem a “quadrilha”.

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