19 anos de rádio e muita história para contar

Hoje é 25 de abril, um dia muito especial para mim. Foi no dia 25 de abril de 1995 que empunhei um microfone pela primeira vez e disse o meu alô ao mundo. Ali nascia o Luiz Valério que vocês conhecem. O homem de rádio, de jornal, de imprensa, enfim.

Aquele foi o dia em que realizei o sonho verbalizado por mim pela primeira vez em 1985, quando eu tinha 11 anos de idade, e disse para a minha mãe que, quando crescesse eu seria “o homem do rádio”. Eu tenho um tio locutor esportivo, o Francisco Silva, um dos melhores do Nordestes, com passagem pela Rádio Sociedade da Bahia, Tupi do Rio de Janeiro, entre outras. Talvez ele tenha sido minha influência indireta. Ele mantinha certa distância da família. Mas eu cresci ouvindo rádio, na sala, junto com meu pai que era ourives, trabalhava em casa, e era, ele também, um apaixonado pelo veículo.

O fato é que em 1995 eu fiz meu primeiro curso de radialista. Antes ainda de entrar na faculdade, o que só aconteceu em 1996, eu fiz minha estreia nas ondas do rádio. Ainda aprendiz, ainda imaturo, ainda vacilante, mas cheio de sonhos e com a certeza que estava abraçando a profissão da minha vida. Tinha a certeza de que eu iria honra-la sendo um profissional de qualidade, sempre buscando estudar para não cair na mediocridade, na ignorância do simplismo.

Tive muitos professores ao longo da minha jornada. Os primeiros, ainda no curso de radialista, foram João Hilário, o mais brilhante e elegante radialista que já conheci pessoalmente, do qual posso ter a honra de dizer que sou amigo, eterno aluno, admirador. Outra mente brilhante que me ensinou os primeiros passos foi o professor José Boa Ventura, exímio comentarista de futebol, historiador, estudioso da cultura da minha terra, meu Juazeiro do Norte.

Os anos se passaram, a profissionalização veio em definitivo e outros nomes brilhantes passaram pela minha vida de comunicador: Marco Valério, o estupendo narrador de futebol que fez nascer e projetou uma nova geração de jornalistas esportivos para a cena radiofônica cearense. Eu sou fã desse camarada. Quando fazia parte da equipe de esportes do Marco Valério todo mundo me perguntava se eu era seu irmão. Detalhe: Marco é branco, pele clara e eu preto, negrinho.

Junto com Marco Valério trabalhavam Delton Sá, um dos mais eletrizantes repórteres e narradores esportivos com quem já convivi profissionalmente; Fabiano Rodrigues, um jovem repórter de fazer cair o queixo dos mais renomados profissionais das grandes rádios do País. Fabiano é um repórter fabuloso. Memória de elefante, Guarda todos os gols, todos os lances, todos os detalhes de todos os jogos da história. Mas não só isso. Entende de basquete, de Fórmula 1, de handebol, de atletismo, enfim, de qualquer coisa que se convencionou chamar de esporte.

Se eu for citar todos este post não acaba. Foram muitos. Mas não posso esquecer dos amigos que fiz no Jornal do Cariri, um empresa do Grupo O POVO de Comunicação, que também ajudei a parir. O JC nasceu de uma iniciativa ousada e empreendedora do senhor Demócrito Dummar, filho do lendário Demócrito Rocha, criador do Jornal O POVO, de Fortaleza. Há algumas décadas, O POVO é um dos principais jornais do Nordeste, ganhador de Prêmios Esso e de design, mundo a fora.

O Jornal do Cariri, seu filho adolescente, está fazendo 17 anos, mudou de dono e de periodicidade, mas estará sempre em minha história. Foi lá que aprendi a escrever para jornal impresso. Foi lá que defini meu estilo de repórter político. Aprendi com Lucion Oliveira, “o seu amigo de todas as horas”, radialista sereno e talentoso, com Socorro Ribeiro, minha primeira editora de impresso, Fabíola Nascimento, entre tantos outros...

Aí, o tempo passou e eu miguei para Roraima. Virei professor concursado (entenda-se por virei o seguinte: fiz o concurso de 2002, passei entre os primeiros colocados e estou até hoje na lida, com algumas pausas para exercer outros cargos a convite). Um mês depois da minha chegada aqui, fui trabalhar no jornal Folha de Boa Vista, o principal diário de Roraima. Anos depois, surgiu a Rádio Folha AM e eu passei a apresentar o programa Agenda da Semana, com o economista Getúlio Cruz, todos os domingos.

Também aprendi muito com o “doutor” Getúlio, que é uma verdadeira biblioteca ambulante. Nisso temos algo em comum: o amor pelo conhecimento e pelos livros. Também aprendi muito com o editor Jessé Souza. Sempre nos falamos pouco, mas sempre fui observador da sua forma e determinação de querer fazer o melhor jornal do dia. Aprendi muito na Folha/Rádio Folha.

Ao sair da Folha, fiz surgir, junto com meu amigo Nei Costa, desde o mais elementar esboço da ideia até a impressão do número 1, o jornal Roraima Hoje, que, confesso, é meu grande desgosto pelos rumos que tomou. Cedi a marca que criei para uso da empresa, ajudei a materializá-lo, a montar sua primeira equipe, mas hoje ele é apenas uma sombra oficialesca do que poderia ter sido. O jornal surgiu em 2006 e eu decidi sair em 2007 insatisfeito com os rumos que ele tomava. Falo isso com tristeza, mas com a autoridade de quem contribuiu decisivamente para esse diário nascer.

Depois vieram passagens rápidas por outros sites e veículos, como o Fonte Brasil, onde escrevi uns dois ou três meses, e o Brasil Norte, onde fiquei quase um ano, sob a batuta da minha amiga jornalista Eudiene Martins, que comandou a redação do BN com elegância e serenidade durante muitos anos. Também aprendi muito lá.

Posteriormente veio a Rádio FM Monte Roraima, onde exerci meu primeiro cargo de chefia no jornalismo, com uma equipe enxuta, mas muito competente, sob o meu comando. Foi um ano de colaboração e mais um ano de contrato devidamente firmado e assinado. Lá, exercendo função de chefe, aprendi o que é ter autoridade ser sem autoritário. A comandar sem subjugar. A motivar uma equipe a fazer mais com menos. A vestir a camisa da empresa sem esquecer do seu valor pessoal. A ser o mais profissional que se puder ser porque isso é que conta. Entendi mais de perto a polêmica causa indígena de Roraima e seus desdobramentos históricos e os vários fatores que fizeram deste tema o que ele é hoje. Percebi o papel de cada um dos atores desta odisseia roraimense.

E, por fim, fui convidado para vir comandar o Jornalismo da Rede Tropical de Comunicação. São quatro emissoras de rádio (Tropical FM, Transamérica Pop FM, Transamérica Hits (Caracaraí), e Transamérica AM (Alto Alegre), mais a TV Tropical). É um mundo para dar conta. Mas é mais um sonho realizado. Aí eu entendi a máxima da literatura/cinema “junto com grandes poderes (sonhos realizados) vêm grandes responsabilidades”. Estou feliz na Rede Tropical. Faço o que gosto.

Não precisei abrir mão do meu estilo, aliás, como sempre digo, vendo mão de obra, mas não minhas convicções. E isso foi plenamente entendido pelo meu empregador atual. Posso ser aqui o Luiz Valério que sempre fui, dizendo o que sempre disse e da forma que sempre disse. Tenho aprendido muito com a Rita Lira, com a Layse Menezes (que já foi minha aluna no curso de Jornalismo da Estácio Atual), com o Jeremias Nascimento, o DBarros Júnior, o Alberto Jemaque, as zeladoras e a recepcionista.

Enfim, nesses 19 anos de profissão, só tenho a agradecer a Deus por tudo. E também a aqueles que contribuíram com centelhas de conhecimento e aprendizagem fazendo com que eu conseguisse evoluir e crescer profissionalmente.

Obrigado a todos por tudo. Prestes a fazer 40 anos, eu posso dizer que sou um homem e um profissional feliz.

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