ENTREVISTA COM ÂNGELA PORTELA – ‘Quero promover a justiça social e a cidadania’

Dando continuidade as entrevistas com os pré-candidatos ao Governo de Roraima, publico hoje a entrevista que fiz por e-mail com a senadora Ângela Portela (PT). Nessa conversa aberta e franca ela fala sobre sua atuação em Brasília e, lógico, sobre as eleições deste ano. Ângela fala sobre os adiamentos do lançamento da sua candidatura ao governo, sobre como pretende formar uma coalizão que lhe permita disputar com a máquina administrativa de igual para igual e diz que quer “promover a justiça social” em Roraima. A primeira entrevista foi publicada ontem, com o governador e candidato à reeleição, Chico Rodrigues (PSB). Acompanhe.

Luiz Valério - Senadora, vamos começar falando sobre o seu trabalho em Brasília. Os seus quatro anos de mandato como deputada e esse tempo como senadora ajudaram a moldar seu pensamento político? E mais: o que a senhora destacaria como suas principais ações parlamentares?

Ângela Portela – Não diria que moldou meu pensamento, mas certamente fortaleceu minhas convicções e minha forma de fazer política. Esses sete anos em Brasília me trouxeram muita experiência e um conhecimento muito maior de como funcionam as instâncias de poder no país, mas não mudaram meu comportamento e minha visão em defesa de um Roraima melhor. Dentre minhas conquistas mais importantes posso destacar a aprovação do Código Florestal, onde consegui aprovar uma emenda que permite ampliar a área disponível para cultivo no Estado sem ameaçar o meio ambiente, e os investimentos que conquistamos: novas creches, três institutos federais de educação, a Casa da Mulher Brasileira, o Teatro Municipal de Boa Vista, os investimentos em infraestrutura nos municípios, entre outros.
"Esses sete anos em Brasília me trouxeram muita experiência, mas não mudaram meu comportamento e minha visão em defesa de um Roraima melhor."
Luiz Valério - A senhora enfrentou alguma dificuldade para exercer seu papel de legisladora por ser mulher e representante de um Estado pequeno, de microeconomia e distante, como Roraima?

Ângela Portela – Considero que as dificuldades que todas nós, parlamentares mulheres, enfrentamos no mundo da política, fazem parte de uma compreensão sobre os papéis dos homens e das mulheres que a sociedade tem, ou seja, o de que às mulheres é reservado o espaço privado/doméstico, e aos homens o espaço público (da política). Mas diria que consigo superar estas dificuldades e conviver em harmonia com meus pares, fazendo-os me respeitar e respeitando-os também. Porém, sem abrir mão de meu direito de representar o povo de Roraima com dignidade e decência. Já com relação ao fato de representar um Estado pequeno, aí sim, penso que toda a bancada de Roraima enfrenta dificuldades. Mas ainda assim, superamos os obstáculos e creio que garantimos nossa representação no Congresso.

LV - Como a senhora avalia a situação da mulher no Brasil Ainda falta muito a se avançar no quesito igualdade homem-mulher?

AP - Claro que ainda temos muito a avançar, apesar de já contarmos com muitas conquistas e mudanças. A ampliação da representação feminina no Congresso Nacional é uma questão inadiável, pois hoje somos apenas cerca de 10% do parlamento. A bancada feminina lançou a campanha “Mulher, Tome Partido”, exatamente para estimular mais mulheres a fazerem parte da política. A igualdade salarial entre os sexos e a superação da violência doméstica são outros problemas sérios que precisamos superar rapidamente e esta é uma tarefa de governos, políticos e sociedade.

LV - Com o seu conhecimento adquirido no Congresso Nacional, o que a senhora acredita ser possível fazer para mudar o panorama socioeconômico de Roraima? Quais características do estado que estão subaproveitadas, economicamente falando?

AP – Acredito que Roraima, desde sua fundação, se orientou por um modelo de desenvolvimento onde o Estado era o centro. Este modelo, ao meu ver, se esgotou e precisamos superá-lo para seguir adiante. O estado não dá conta de absorver, sozinho no mercado de trabalho, toda essa juventude que está estudando em cursos técnicos ou nas universidades. Precisamos pensar o estado como indutor do desenvolvimento, criando condições para estimular nosso setor produtivo, gerando empregos e renda. O linhão do Tucuruí, obra do governo federal que deve ser concluída em breve, é fundamental por nos garantir acesso ao sistema nacional de energia. Temos estudos do IPEA e da UFRR que apontam para novos caminhos, alguns hoje até inexplorados, como nosso potencial para o ecoturismo e o turismo de aventura. No entanto, é necessária uma mudança na mentalidade política, entender que não é mais possível evoluir com esses hábitos ultrapassados de administração que vemos há tanto tempo e que nos levaram, hoje, a ser o Estado mais endividado do país. Esta nova mentalidade inclui uma forte parceria com a sociedade, para abrir estes novos caminhos; dou o exemplo do novo Código Florestal, que, como já citei, recebeu emenda minha, discutida e formulada em conjunto com o setor produtivo do Estado, mas que agora precisa ser regulamentada pelo Estado para que possa ser efetivamente aplicada. E está parada.
"Política não se faz sozinho, governo também não. Estamos em processo de discussão do nosso programa de governo, que não envolve somente um grupo político, mas toda a população de Roraima."
LV - Senadora, agora vamos falar de eleições. Quais foram os motivos que levaram a senhora a adiar o anúncio da sua candidatura ao governo de Roraima?

AP – Tínhamos um evento marcado para março, que teve que ser adiado em virtude do falecimento repentino da minha mãe. Após o período de luto, tivemos que coordenar as agendas novamente para garantir a presença do presidente nacional do PT, Rui Falcão, que faz questão de estar conosco aqui em Boa Vista para o lançamento. Agora está confirmado para o dia 16.

LV - Quem deverá seu candidato a vice-governador? Quais as características dele?

AP – Minha candidatura ao Governo de Roraima não nasceu de um desejo pessoal ou de uma busca pelo poder. Este projeto está centrado em um projeto maior de mudanças que toda a sociedade pede. Queremos governar Roraima, para promover justiça social, cidadania e garantir a todas as pessoas as mesmas oportunidades. Desta forma, nosso candidato a vice-governador virá dos partidos aliados, e o que espero é que esteja comprometido com nosso projeto de uma nova forma de administrar Roraima. Em primeiro lugar deve estar o cidadão e a cidadã.

LV – Quais projetos o seu grupo político ou a senhora teria para tentar convencer o eleitorado de que seu nome pode ser a melhor opção para governar Roraima?

AP – Política não se faz sozinho, governo também não. Estamos em processo de discussão do nosso programa de governo, que não envolve somente um grupo político, mas toda a população de Roraima. Vamos ouvir a todos para formular um projeto que atenda aos anseios de todos, que possa dar as respostas que a população precisa agora. De minha parte, vou oferecer humildemente ao eleitorado a minha história de vida e minha conduta política, de transparência, sinceridade e honestidade. Quero conduzir minha campanha olhando nos olhos de cada um, para que saibam que vou cumprir com meus compromissos, como sempre tenho feito.

LV - Seu esposo, o deputado estadual Flamarion Portela (PTC), já foi governador de Roraima, cujo mandato foi interrompido pela cassação imposta pelo Supremo Tribunal Federal. A senhora teme que esse histórico de uma pessoa intimamente ligada à sua pessoa possa vir a atrapalhar a sua campanha?

AP – Absolutamente, não. Flamarion é meu companheiro de mais de 30 anos, pai de minhas filhas. Seu governo já faz parte da história e ele inclusive já se apresentou ao julgamento do povo nas urnas. O eleitor é sábio, conhece nossa trajetória e tem condições de diferenciar as coisas.
LV - E para o Senado? Parece-me que a senhora está numa encruzilhada: o senador Mozarildo Cavalcanti (PTB) quer ser candidato à reeleição. Enquanto isso, o ex-governador Neudo Campos (PP) pleiteia se candidatar ao mesmo cargo... Como equacionar esse impasse?
"O Neudo, como já afirmei, possui um histórico de serviços prestados ao povo de Roraima, que saberá tomar a melhor decisão de forma soberana."
AP – Isso será discutido e avaliado com os partidos aliados. Ambos são companheiros valorosos, com grandes serviços prestados a Roraima e terei muita honra em contar com eles ao meu lado.

LV - A senhora não teme que um candidato que tem o histórico de processos na justiça, como e o caso de Neudo Campos, possa atrapalhar a sua candidatura?

AP – Processos são discutidos no Poder Judiciário, na forma da lei. O Neudo, como já afirmei, possui um histórico de serviços prestados ao povo de Roraima, que saberá tomar a melhor decisão de forma soberana.

LV - Por fim, o que a senhora espera das eleições deste ano?

AP – Espero uma campanha limpa, digna e conduzida com respeito pelos eleitores, para que eles possam escolher com clareza e optar pelo melhor projeto político que irá guiar nossos destinos pelos próximos quatro anos.

NOTA DO EDITOR - A entrevista de amanhã será com o médico Petrônio Araújo, pré-candidato ao Governo de Roraima pelo PDT.

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